Da sua boca sairam promessas atrás de promessas. Eu já lhe disse que elas não valem mais nada. São apenas palavras se você não der vida a elas. Você parece querer tentar novamente. Eu sei que você me viu em pé, mas você deveria saber que eu não ficaria no chão por muito tempo. Contudo, talvez seja tarde demais para outra tentativa. Meu coração não sofrerá mais quedas e perdas. Não faça essa cara pra mim. Seu olhar triste e suas palavras doces já não têm mais o mesmo efeito estonteante que tinham antes. Eu não vou mergulhar no azul dos olhos, eu tenho meu próprio bote salva vidas agora. E não pense que eu pularei dele. Talvez se você me deixasse seguir em frente...
Hoje quando eu acordei, o sol se escondia envergonhado, brincava pelas nuvens, foi uma pena não tê-lo visto por completo. Porque então eu poderia aproveitar cada pequeno raio que tocasse meu rosto, seria como uma grande fonte de energia. Talvez me ajudasse a levantar da cama. Mas ele não apareceu... Então, eu pensei que talvez ele estivesse aparecendo pra você. Já que nós somos como os pólos da Terra. Talvez ele estivesse aquecendo seu rosto pela manhã. Isso fez com que eu saísse do calor das cobertas e encarasse um novo dia. Mas eu observei meu telefone durante todo o trabalho. Eu fiz promessas bobas, e competições comigo mesma, imaginando se você ligaria. Quem sabe apenas uma mensagem, algum sinal de vida. Bem, talvez seja porque nós somos como os pólos da Terra. À noite, enquanto eu me virava de um lado para o outro na cama, você não saiu do meu pensamento durante um segundo. Eu não queria você aqui dentro, mas apenas não há um jeito de tirá-lo daqui. Porque se houvesse, você sabe que eu não estaria mais tão ligada à você. Se houvesse apenas uma maneira de no meu coração nós também sermos como os pólos da Terra, então você saberia.
Meu coração foi aberto, talvez pela segunda vez na minha vida. E eu queria poder controlá-lo agora. Porque... E se você não for a pessoa certa? E se meus olhos não enxergarem um palmo à minha frente? Então, como eu posso andar no escuro? Eu não suporto não saber onde estou pisando. É apenas um pouco de segurança que eu preciso agora, e você ofereceu sua mão. Mas, então, havia este enorme buraco no chão, e eu estou presa nele neste exato momento. Eu só desejo saber como sair da escuridão. Eu sei que estou perdida... Eu deveria saber que era como uma rua sem saída. Você tem meu coração em suas mãos, e não é como se eu pudesse fazer alguma coisa a respeito...
Eu não quero sofrer outra vez como eu sofri a primeira. Eu não quero que tudo seja como era antigamente, eu realmente preciso de uma mudança.Por isso eu tento afastar toda essa loucura da minha cabeça às vezes, mas é quase inevitável. Ele sempre arruma uma maneira de aparecer novamente nos meus pensamentos, e me deixa nas nuvens com algumas simples palavras.Eu tento permanecer no chão, no entanto, é como se ele me presenteasse com asas. Mas eu não quero um par delas, porque então eu estou no alto e ele desaparecesse. Ele apenas some, e não é como se nunca estivesse ao meu lado. É como se faltasse um pedaço de mim, como se ele tivesse roubado o meu coração. Então, eu apenas quero que ele o devolva pra mim, porque eu não quero tê-lo em pedaços outra vez...
Hoje eu acordei mais leve, como se todos os meus problemas tivessem ido embora enquanto eu dormia. Mas, na verdade, eu sei que o mundo não funciona desse jeito.Então eu acordo, e percebo que o mundo continua girando, mesmo que eu esteja parada no mesmo lugar. Eu não tenho tempo para indecisões, eu sei disso. Não preciso ser lembrada a todo o momento. É que... Apenas é difícil escolher quando se quer tudo.Talvez eu devesse pensar melhor... Quem sabe se o mundo parasse, ao menos por um segundo, e eu pudesse descer e pensar? Eu não consigo raciocinar com mil idéias na minha cabeça, quando vocês apenas não param de jogá-las pra cima de mim.Talvez fosse melhor eu desistir dessa loucura...
De volta à estrada, os pensamentos foram os mesmos. Eu apenas tentava afastá-los da minha mente. A rua em que eu estava não parecia muito conhecida. Eu não me lembrava dela das outras vezes que fui a Folkston. Não, mas eu não poderia estar perdida. O mapa que eu havia imprimido me dizia que o caminho era esse. Ou será que era pra ter dobrado à esquerda na rua anterior?
Eu parei o carro para observar melhor o mapa, então alguém buzinou. Havia um carro azul marinho, talvez roxo, parado ao lado do Alfa. O vidro desceu e eu pude ver o rosto do homem. Era o mesmo que estava no posto de gasolina.
- Ei, precisa de ajuda? – Ele se ofereceu.
- Não, obrigada! Estou apenas conferindo o mapa. – Não era seguro aceitar ajuda de estranhos. Eu logo localizaria o meu erro e então poderia seguir no caminho certo.
- Hm... Você esta indo pra onde? – Ok, ok. Talvez fosse melhor pedir ajuda.
- Estou indo para Folkston, mas acho que devo ter entrado na rua errada. – Eu confessei.
- Oh, eu estou indo a Andrews, é caminho, você pode me seguir se quiser.
Eu conhecia Andrews, na Carolina do Sul. Era a caminho de Folkston, sim. Eu não tinha muitas opções, então...
- Eu vou aceitar!
O homem dirigia devagar, era fácil de acompanhá-lo, apesar de a estrada ficar cada vez mais estreita e mal asfaltada. Eu não me lembrava daquele caminho. No entanto, eu não fazia esse trajeto há mais de meio ano.
Enquanto eu o seguia, eu tentei acompanhar o caminho pelo mapa, mas confesso que tive algumas dificuldades. Era difícil localizar onde nós estávamos.
Já era meio dia. Nós ainda estávamos na estrada, se é que aquilo poderia ser chamado de estrada. Resolvi ligar para Ben. Procurei meu celular na minha bolsa, enquanto continuava com os olhos no carro à minha frente – o homem deveria ter muito dinheiro, pois dirigia um Hyundai, provavelmente o último modelo lançado. Más notícias: meu celular estava sem sinal. E algo de errado estava acontecendo por essa estrada.
O site LeS fez uma matéria super legal sobre o blog e o livro Catty Girl, e você pode conferi-la clicando aqui.
Também tenho novidades sobre o livro. Acabei de escrever o último capítulo hoje, mas ainda preciso passá-lo para o computador. Então, na próxima semana estarei fazendo a revisão dos capítulos e, logo depois, pretendo enviá-lo a biblioteca nacional para registrá-lo.
Se Deus quiser - e ele há de querer-, o livro estará registrado e em minhas mãos até abril do ano que vem. Sim, infelizmente demora, mas valerá a pena ao final de tudo!
Qualquer outra novidade eu vou postar aqui! E logo, logo, farei novos textos, prometo!