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domingo, 7 de novembro de 2010


PRÓLOGO

Eu nem ao menos sabia se era certo o que eu fazia. Eu estava indo contra todos os meus princípios agora. Eu havia mentido para o meu pai, eu estava colocando a minha vida em risco e – o pior de tudo – eu não estava nada afetada com isso. Talvez nem existisse mais um coração no meu peito. Era como se alguém tivesse tomado todo o ar que restara para que eu respirasse. Então eu lutava desesperadamente para que o devolvessem a mim. Eu já havia esperado tempo demais.

A vingança e o ódio que corriam pelo o meu peito não me deixavam esperar nem por mais um segundo. Eu não teria medo dessa vez. Eu estava forte o suficiente para acabar com quantos fossem os homens que estivessem naquela cabana. Não importando quais armas eles usassem, ou quão assustadores eles estivessem.

O vento beijava as maçãs do meu rosto. Levianamente cobrindo meus olhos com os meus cabelos emaranhados. E eu pude sentir a lâmina afiada da faca que estava em minhas mãos. A velha Bowie de meu pai ainda seria útil para alguma coisa, afinal. Respirei fundo, e deliberadamente dei um passo em direção ao que separaria a doce Mel da felina que ameaçava me possuir a partir daquele momento.



Por Michele Penteado.© direitos reservados a autora

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Techo Catty - Girl (Capítulo 8)


De volta à estrada, os pensamentos foram os mesmos. Eu apenas tentava afastá-los da minha mente. A rua em que eu estava não parecia muito conhecida. Eu não me lembrava dela das outras vezes que fui a Folkston. Não, mas eu não poderia estar perdida. O mapa que eu havia imprimido me dizia que o caminho era esse. Ou será que era pra ter dobrado à esquerda na rua anterior?

Eu parei o carro para observar melhor o mapa, então alguém buzinou. Havia um carro azul marinho, talvez roxo, parado ao lado do Alfa. O vidro desceu e eu pude ver o rosto do homem. Era o mesmo que estava no posto de gasolina.

- Ei, precisa de ajuda? – Ele se ofereceu.

- Não, obrigada! Estou apenas conferindo o mapa. – Não era seguro aceitar ajuda de estranhos. Eu logo localizaria o meu erro e então poderia seguir no caminho certo.

- Hm... Você esta indo pra onde? – Ok, ok. Talvez fosse melhor pedir ajuda.

- Estou indo para Folkston, mas acho que devo ter entrado na rua errada. – Eu confessei.

- Oh, eu estou indo a Andrews, é caminho, você pode me seguir se quiser.

Eu conhecia Andrews, na Carolina do Sul. Era a caminho de Folkston, sim. Eu não tinha muitas opções, então...

- Eu vou aceitar!

O homem dirigia devagar, era fácil de acompanhá-lo, apesar de a estrada ficar cada vez mais estreita e mal asfaltada. Eu não me lembrava daquele caminho. No entanto, eu não fazia esse trajeto há mais de meio ano.

Enquanto eu o seguia, eu tentei acompanhar o caminho pelo mapa, mas confesso que tive algumas dificuldades. Era difícil localizar onde nós estávamos.

Já era meio dia. Nós ainda estávamos na estrada, se é que aquilo poderia ser chamado de estrada. Resolvi ligar para Ben. Procurei meu celular na minha bolsa, enquanto continuava com os olhos no carro à minha frente – o homem deveria ter muito dinheiro, pois dirigia um Hyundai, provavelmente o último modelo lançado. Más notícias: meu celular estava sem sinal. E algo de errado estava acontecendo por essa estrada.


Por Michele Penteado.
© direitos reservados a autora

sábado, 14 de novembro de 2009

Novas notícias!


Venho aqui para divulgar novas e ótimas notícias!

O site LeS fez uma matéria super legal sobre o blog e o livro Catty Girl, e você pode conferi-la clicando aqui.

Também tenho novidades sobre o livro. Acabei de escrever o último capítulo hoje, mas ainda preciso passá-lo para o computador. Então, na próxima semana estarei fazendo a revisão dos capítulos e, logo depois, pretendo enviá-lo a biblioteca nacional para registrá-lo.

Se Deus quiser - e ele há de querer-, o livro estará registrado e em minhas mãos até abril do ano que vem. Sim, infelizmente demora, mas valerá a pena ao final de tudo!

Qualquer outra novidade eu vou postar aqui! E logo, logo, farei novos textos, prometo!



Mil beijos, Michele Penteado.


domingo, 20 de setembro de 2009

Trechos finais Catty Girl


"Eu nem ao menos sabia se era certo o que eu fazia. Eu estava indo contra todos os meus princípios agora. Eu havia mentido para o meu pai, eu estava colocando a minha vida em risco e – o pior de tudo – eu não estava nada afetada com isso. Talvez nem existisse mais um coração no meu peito. Era como se alguém tivesse tomado todo o ar que restara para que eu respirasse. Então eu lutava desesperadamente para que o devolvessem a mim. Eu já havia esperado tempo demais.

A vingança e o ódio que corriam pelo o meu peito não me deixavam esperar nem por mais um segundo. Eu não teria medo dessa vez. Eu estava forte o suficiente para acabar com quantos fossem os homens que estivessem naquela cabana. Não importando quais armas eles usassem, ou quão assustadores eles estivessem.

O vento beijava as maçãs do meu rosto. Levianamente cobrindo meus olhos com os meus cabelos emaranhados. E eu pude sentir a lâmina afiada da faca que estava em minhas mãos. A velha Bowie de meu pai ainda seria útil para alguma coisa, afinal. Respirei fundo, e deliberadamente dei um passo em direção ao que separaria a doce Mel da felina que ameaçava me possuir a partir daquele momento."


Trecho de Catty Girl - the outset.
Por Michele Penteado.
© direitos reservados a autora

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


"Seus olhos cor de mel foram a primeira coisa que os meus encontraram ao despertar.
Não havia mais nada na minha vida, apenas ele. Eu não precisaria de mais nada enquanto ele permanecesse ao meu lado.
Felicidade não descrevia nem um terço do que eu sentia quando estava junto a ele.
Seus olhos se fecharam. Seu rosto foi se aproximando lentamente do meu.
Meus pensamentos se misturaram aos batimentos confusos do meu coração. Minha respiração era acelerada. E durante alguns segundos, eu não sabia onde estava.
Foi então que seus lábios tocaram os meus. E eu pude sentir que seu coração também batia acelerado. Que sua respiração também era ofegante.
Nossos corpos tornaram-se um só. Eu podia sentir o calor da sua pele, mesmo através das roupas que nos separavam.
Eu tive certeza que era com ele que eu queria estar pelo resto da minha vida."

Por Michele Penteado. (trecho de Catty Girl - the outset)
© direitos reservados a autora

domingo, 23 de agosto de 2009

Despedida


"- Hm, Davi! Já são 13h, você vai perder seu vôo!
Meus olhos se encheram de lágrimas. Senti minhas pernas tremerem e meu coração disparar, batendo duas vezes mais rápido que o normal. Não sabia se conseguiria me conter na frente de Davi. Vê-lo partir, sem saber quando voltaria a vê-lo. Saber que ele não seria mais meu, que não poderia mais pensar nele do jeito que pensava, que não poderia mais amá-lo do jeito que eu amava. Não seria saudável que ele visse minha fraqueza, seria melhor se ele pensasse que eu não o amava mais como uma mulher ama um homem. Eu me recompus, respirei fundo três vezes, sem deixar que ele percebesse, enquanto andávamos para a fila de embarque.
- Ei, vou sentir sua falta! Quero que me ligue às vezes, se estiver com problemas, ou se quiser contar as novidades, ok?! – Eu sussurrei enquanto o abraçava. Inalei seu cheiro o máximo que pude. Eu o guardaria em algum canto da minha memória, onde ficasse intacto e protegido.
- Ainda somos amigos, certo? – Ele questionou ao me abraçar ainda mais apertado. Eu guardaria esse abraço também. Queria me lembrar de todos os momentos bons que passei ao lado dele.
- Claro que sim, sempre seremos! – Eu beijei sua bochecha e me afastei, olhando para o painel. – Acho que é o seu vôo que estão chamando. Cuide-se, ta legal? Quero que você se alimente bem e durma direito, faça amigos, ok?! E seja muito feliz, eu sempre vou torcer por você! – Eu estava segurando as mãos dele e as balançando de um lado para o outro, como se estivéssemos no jardim de infância.
Ele riu ao perceber o meu gesto. – Eu vou tentar, Mels! Eu prometo, meu amor! Cuida do George e de você, ok?! – Minha concentração foi quebrada quando a locutora do aeroporto chamou pela última vez o vôo com destino a Jacksonville, onde David desembarcaria. É claro que Folkston não tinha nenhum aeroporto, mas ficava a cerca de 45 Ml do aeroporto de Jacksonville.
- Ta na minha hora! Eu te amo, Mels! – Ele beijou minha testa e se afastou de mim, lentamente, arrastando sua mala, andando de costas para o portão de embarque.
- Eu te amo, Davi! Boa sorte! – Minha voz saiu como um sopro, sem força, e rápido demais pra que ele ouvisse, mas ele pareceu entender nos meus lábios.
Quando ele desapareceu entre os outros passageiros, eu decidi que era seguro desmoronar. As lágrimas lavaram meu rosto, como se alguém tivesse morrido, e não apenas partido. Era isso que eu sentia, eu havia morrido. Uma parte de mim, do meu coração, estava sendo enterrada naquele momento, e era isso que eu queria, isso era o certo a acontecer.
Eu demorei alguns minutos para me levantar do chão do banheiro do aeroporto e ir até o meu carro, que estava no estacionamento. Muitas pessoas devem ter me olhado, minha cara certamente era de luto. Mas eu não percebi, não lembro como cheguei até em casa. Não sou capaz de dizer em que momento consegui dormir. E também não consigo descrever a dor que tomou meu corpo e minha alma até que eu adormecesse."

Por Michele Penteado. (trecho de Catty Girl - the outset)
© direitos reservados a autora

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Trecho de Catty Girl


"Os pássaros cantavam um pouco mais alto do que o normal. Eu podia ouvir respirações, alguém estava por perto. E se fossem os homens novamente? O que eu faria? Era melhor continuar com os olhos fechados, em silêncio.

Uma faca atravessou meu peito. O ar sumiu. Mas eu ainda pude abrir os olhos. Apenas árvores. Entretanto, a dor continuava. A faca ainda estava lá, mas estava em movimento, agora. Ela perfurava cada órgão do meu corpo, e eu não conseguia fazê-la parar. Não havia o que parar. Minhas mãos apalpavam o ar; não havia faca alguma.

Tentei levantar do chão. Eu precisava juntar forças para encontrar o caminho de volta. Eu precisava de ajuda. Eu gemi alto, como se adiantasse alguma coisa, como se a dor diminuísse ou como se alguém pudesse me ouvir. Parecia não haver mais saídas. Seria melhor se tudo acabasse. Eu já havia tentado de todas as formas, mas não existiam forças em nenhum ponto do meu corpo. A dor já não me afetava mais. Todas as minhas células conspiravam para que aquilo acabasse, para que a dor me tomasse por completo, e então sumisse, deixando que eu descansasse em paz. Era tudo o que eu pedia.

Ben, Davi, George, Kate, Sam, Lia... Esses nomes rondavam a minha mente, enquanto eu me entregava à morte. Eu queria lutar por eles. Eu precisava viver por eles. Porém, a escuridão já havia tomado conta de todo o resto e não havia o que fazer. Não existia solução, a não ser esperar. E foi o que eu fiz. Novamente, tudo ficou escuro."


Por Michele Penteado. (trecho de Catty Girl - the outset)
© direitos reservados a autora

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ben (Catty Girl - the outset)




"Ben rolou pela grama, caindo em cima de mim, mas sustentando seu peso a uma distância considerável do meu. Meu coração batia apressado e minha respiração o acompanhava. Ben me encarava com um sorriso escondido no rosto. Seus lábios se moveram em sincronia com os meus, enquanto o perfume dele se alastrava na minha mente. Não havia como descrever o quanto eu estava dominada por ele naquele momento.

Sua mão direita percorria a minha pele agora, fazendo desenhos pelo meu corpo, do meu pescoço à minha cintura. Meus dedos prenderam-se ao cabelo dele, quando uma sensação gelada fez minha pele se arrepiar.

Ele interrompeu nosso beijo. – Está chovendo! – Ele encarou o céu, as gotas frias molhando seu cabelo. Aquela cena nem se quer parecia real, por um momento, questionei a mim mesma se eu estava sonhando.

Apesar da chuva, o sol continuava a brilhar lá em cima, como se conspirasse ao nosso favor.

- Isso foi um sim? Você me perdoa? – Eu finalmente lembrei que ele me devia uma resposta.

Ele apenas assentiu com a cabeça, como se quisesse esquecer o assunto.

A chuva estava mais forte agora, e algumas nuvens lutavam contra o sol, tentando escondê-lo."


Michele Penteado. (trecho de Catty Girl - the outset)